Menos gases, mais conforto: inovação brasileira pode transformar o consumo de feijão
Presente diariamente na mesa dos brasileiros, o feijão é um alimento fundamental por seu alto valor nutricional, sendo fonte de proteínas, ferro e fibras. Mesmo com tantos benefícios, muitas pessoas reduzem o consumo por causa do desconforto digestivo, especialmente a sensação de inchaço e a produção excessiva de gases após as refeições.
Esse problema, bastante comum, sempre foi um dos principais obstáculos para o consumo regular do grão. Agora, uma solução desenvolvida no Brasil pode mudar esse cenário e tornar o feijão ainda mais acessível no dia a dia alimentar.
Pesquisadores da área de biotecnologia estão trabalhando em uma inovação que promete diminuir os efeitos indesejados da digestão, sem alterar o sabor nem comprometer os nutrientes do alimento. A proposta é manter o feijão como um dos pilares da alimentação saudável, respeitando sua importância cultural e nutricional.
Entenda por que o feijão causa gases
O desconforto está relacionado à presença dos chamados oligossacarídeos, carboidratos que o organismo humano não consegue quebrar completamente durante a digestão. Ao chegarem ao intestino grosso, essas substâncias são fermentadas por bactérias, processo que resulta na liberação de gases como hidrogênio e metano.
Atualmente, a principal orientação para reduzir esse efeito é deixar os grãos de molho por várias horas e descartar a água antes do preparo. Embora eficaz, esse método exige tempo e planejamento, o que nem sempre é viável na rotina moderna.
A nova abordagem, no entanto, atua diretamente na origem do problema: a composição genética do alimento.
Biotecnologia aplicada à alimentação
Cientistas da Embrapa estão utilizando a tecnologia de edição genética conhecida como CRISPR, que permite modificar genes de forma precisa. Com essa técnica, é possível reduzir ou desativar os genes responsáveis pela formação dos compostos que causam a fermentação intestinal.
Além de melhorar o conforto digestivo, essa inovação pode tornar o preparo do feijão mais simples e rápido, diminuindo ou até eliminando a necessidade de deixá-lo de molho por longos períodos.
Quando essa novidade estará disponível?
Apesar dos avanços animadores, o novo tipo de feijão ainda precisa passar por etapas rigorosas de avaliação, incluindo testes de segurança e validação em larga escala. A previsão é que o produto chegue ao mercado dentro de um prazo estimado entre cinco e oito anos.
Caso a iniciativa se confirme, o Brasil poderá se destacar internacionalmente como referência em biotecnologia voltada à alimentação, unindo ciência, saúde e tradição em um alimento essencial para o país.
